A terapia e a prática

03/09/2013 § Deixe um comentário

medusaA sociedade busca cada vez mais soluções rápidas para os problemas, e nesse processo a psicoterapia é vista na melhor das hipóteses como trabalhosa. Muitas vezes, as pessoas buscam o terapeuta com idéias irrealistas a respeito das possibilidades da psicoterapia como tratamento (pensam que o terapeuta vai resolver os problemas no seu lugar e é por isso que estão pagando); outras vezes, as pessoas acham que elas mesmas é que têm de resolver os próprios problemas, e vêem na terapia um gasto desnecessário.

Há uma tendência de que as pessoas entendam teorizar como o oposto de praticar. Nesse sentido, a terapia seria um processo teórico, desconctado da prática, que seria o espaço exclusivo do paciente. Quando nos referimos as terapias psicanalíticas isso pode até ser verdadeiro em parte. Ocorre que estão em desenvolvimento psicoterapias práticas, como as comportamentais, que buscam explicações simples para as dificuldades dos pacientes e propõem atitudes práticas para que modifiquem suas realidades e confiram a mudança que estão buscando.

Nessa forma de tratamento, o terapeuta mostra como enfrentar, enfrenta junto, desafia o paciente a enfrentar sozinho. Isso vem de encontro à solução dos problemas práticos dos pacientes. Ocorre que nem todos os problemas são práticos. Muitas vezes, o problema a ser resolvido não está  claro no primeiro momento, e é preciso que se descubra qual é o problema ao longo do processo de terapia. Até que – pronto! – descoberto significa resolvido. Algumas vezes isso pode ser uma realidade, o paciente implementa ações práticas que visam resolver definitivamente o seu sofrimento.

Na maioria das vezes, entretanto, essa descontinuidade entre teoria e prática transforma-se num refúgio, em que a compreensão do terapeuta contém a dor do paciente, refugiado na teoria.

Diferentemente de teorizar e praticar, entre fazer e não-fazer existe sim uma oposição verdadeira, de maneira que não se pode (ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto) fazer e não fazer. Ou a pessoa faz, ou a pessoa não faz. E nisso resulta uma ilusão: as pessoas seguem pensando e não-fazendo iludidas de que no pensar por si mesmo exista uma ação real, e não existe. Na escolha do pensar, existe junto uma escolha do não-fazer. Outras vezes as pessoas não fazem por temer as consequências que teriam caso fizessem, esquecendo-se que no não fazer também temos consequências.

É necessário que atitudes práticas e resultados reais construam uma ligação forte entre o pensamento e a realidade. Pensamento desconectado da realidade nada mais é que delírio; realidade desconectada do pensamento, alienação.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento A terapia e a prática no Caderno de Terapia.

Meta

%d blogueiros gostam disto: