Como lidar com a dúvida a respeito dos sentimentos por duas pessoas?

05/12/2011 § Deixe um comentário

Várias pessoas buscam psicoterapias com o objetivo de tomar decisões a respeito de seus relacionamentos amorosos. Algumas pessoas buscam individualmente; outras, trazem a relação inteira para uma reavaliação por meio de uma terapia de casal.

As relações são regidas por contratos, que podem ser explícitos, com suas regras discutidas e negociadas, ou implícitos, com suas regras advindas do senso comum. Por exemplo, um casal pode negociar um relacionamento com alguma abertura, ou pode casar na igreja “até que a morte os separe, e o que Deus une o homem não pode desunir”. Normalmente, esses contratos seriam firmados em pé de igualdade: são duas pessoas que se estão propondo dividir algo entre si, mesmo que se trate apenas do compartilhamento de momentos juntos, e que negociam essa troca de uma maneira igual, em cujo rompimento poderiam ter algum sofrimento que possivelmente seria indistinto entre ambos. Nem sempre as coisas são assim: muitas vezes, essa troca se dá de uma maneira desigual, o sofrimento de um é supostamente maior do que o do outro no rompimento da relação, o que podemos chamar de dependência de um em relação ao outro.

Na maioria das vezes, a dificuldade maior não é a dúvida a respeito dos sentimentos pela pessoa com quem nos relacionamos, mas o medo da revelação de que os sentimentos pela pessoa não são tão intensos, de que existem dúvidas. Como a outra pessoa vai reagir a essa revelação? E quando nessa revelação estiver envolvida uma proposta de abertura do relacionamento, de um recuo? Tornar um rolo em namoro, um namoro em noivado, um noivado em casamento, normalmente são vividos pelo companheiro como validação da relação, gratificação; o inverso, como invalidação, fracasso, aversão. Isso nos desperta medo: como iremos fazer tal proposta ao companheiro, sem que ele sinta raiva de nós, sem que o companheiro possa querer o rompimento total da relação, ou sem frustrá-lo? E se existem crianças que dependem da relação? O problema maior, no meu entendimento, é que a alternativa a essa conversa na maioria das vezes é uma mentira: dizer que as coisas estão bem quando não estão, dizer que amamos quando não amamos.

Ninguém é obrigado a ter sentimentos por ninguém. Ao longo do tempo, nossos sentimentos mudam. Conhecemos a pessoa e coisas que imaginávamos ser não eram; outras coisas à medida que conhecemos a pessoa com quem nos relacionamos nos surpreendem e encantam. Precisamos ter coragem para lidar com nossos sentimentos e com os sentimentos dos outros de maneira responsável.

* Imagem disponível em http://lh4.ggpht.com/_s4eOzqwDXqQ/S2Bc8f1elAI/AAAAAAAACGg/IzXACa99fac/CASAL%20EM%20BEIJO%20SENSUAL.jpg

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