A escola, uma praça de guerra

06/06/2011 § Deixe um comentário

Vários são os questionamentos a respeito dos motivos que têm transformado as escolas em praças de guerra, como o que ocorreu no massacre recentemente ocorrido no Rio de Janeiro. O bullying, a doença mental, as palmadas, os meios de comunicação, a modificação das famílias, as falhas na educação, o impensável. São muitas as hipóteses, as proposições.

Jovem realiza chacina em escola em Realengo, no RJ

 Somos tomados de um impulso, de levianamente atribuir à insegurança que percebemos as causas por tal fenômeno. Parece que tal explicação não é suficiente, uma vez que nos Estados Unidos, supostamente mais seguro do que nosso país, o fenômeno de uma pessoa expor uma escola a uma situação de terror ocorreu por duas vezes num passado recente. Outro impulso que temos é atribuir a causa a uma doença mental de que o terrorista esteja supostamente acometido, hipótese que nos tranquiliza: se o problema era dele, e ele está morto, o problema está resolvido. Parece não ser suficiente também para explicar o fenômeno, porque não dá conta do motivo pelo qual esse fenômeno tem se repetido.

Outra possível explicação reside no exemplo. Demonstrado experimentalmente através do famoso experimento do João Bobo, em que crianças que assistiam um filme em que outra criança agredia um João Bobo passavam a agredi-lo de maneiras inclusive não demonstradas no filme, que fundamenta a teoria da aprendizagem por imitação. Os meios de comunicação, a internet, o acesso fácil a cenas de violência poderia estar deixando nossas crianças mais violentas. O que não há é uma alternativa. A censura é igualmente prejudicial à sociedade, porque, mesmo tendo um efeito pacificador, que é utilizado inclusive para manter regimes autoritários, isso se dá às custas da alienação das pessoas. Além de que talvez seja que o aumento no acesso à informação tenha nos dado uma falsa impressão de aumento na frequência dessas atrocidades, quando apenas pode ter facilitado sua divulgação.

Modificação nas famílias. Outra explicação comumente utilizada para esses fenômenos, em que a mudança na estrutura familiar estaria deixando nossas crianças com déficits da atenção dos pais. Será o preço da liberdade que foi conquistada pelos casais? Que podem agora explorar de uma maneira mais livre a sua sexualidade? Que podem se tornar mais autônomos com sua independência financeira? Onde ficam os filhos nesse processo? Resta saber o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? O terror na escola decorre da modificação nas famílias ou o inverso, ou ambas as coisas são consequências de algo de que não sabemos?

O que sabemos é que ficamos tomados de terror quando algo assim acontece, e que isso interfere na nossa capacidade de compreender. Por que na escola? Se não podemos compreender, o que podemos fazer para que isso não ocorra novamente?

 *Imagem disponível em:  http://linguadefogo2.files.wordpress.com/2011/04/realengo.jpg

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