Como enfrentar o bullying no local de trabalho

04/12/2010 § Deixe um comentário

 O trabalho é uma situação que reúne papéis sociais heterogêneos: patrão, empregado, cliente, entre outros. Até onde se pode considerar que a diferença hierárquica autoriza uma atitude abusiva? Até que ponto faz parte do processo de trabalho ter que tolerar a frustração?

 O entendimento do bullying como fenômeno social ajuda a se decodificar o que está ocorrendo e escolher a melhor alternativa a fazer em cada caso. A ocorrência do bullying representa o compromisso do grupo com não pensar e com isso não mudar. Dessa forma, o bullying representa ao mesmo tempo um convite pelo bode-expiatório a se tornar líder de alguma mudança e a negação desse convite pelo grupo, movimento liderado por outra pessoa. Quanto mais enrijecida (total) a instituição, maior a resistência a qualquer tipo de mudança.

Algumas características pessoais podem contribuir para uma uma maior dificuldade de alternar os papéis de lider e liderado, como nos transtornos da personalidade. No transtorno da personalidade narcisista, por exemplo, existe uma dificuldade no reconhecimento da necessidade do outro. Em alguns momentos, as pessoas são uma extensão de si; em outros, as pessoas não existem. Um bom começo é olhar para dentro de si e observar se a dificuldade de relacionamento é específica do local de trabalho ou uma característica pessoal que se generaliza em outras formas de relação.

O tratamento do sofrimento causado pelo bullying pode incluir as modalidades de terapia individual e de grupo, tendo na primeira opção uma possibilidade de se atingir um nível de intimidade maior com o terapeuta, construindo a possibilidade de aprendizagem de repertório útil a relacionamentos mais profundos (como os amorosos). A terapia de grupo, por sua vez, é mais eficaz em reproduzir o fenômeno de bullying e possibilitar a aprendizagem de estratégias de enfrentamento, além de que expõe as dificuldades de personalidade de uma maneira mais ampla. No caso do problema ser o enrijecimento da instituição, isso envolve um custo para o processo de produção, o que pode ser usado como argumento para que se busque uma consultoria. É importante considerar, também, a mudança de emprego como alternativa, bem como, no caso de assédio moral, a resolução do caso junto à justiça.

O enfrentamento do bullying é um desafio tanto para o grupo quanto para a vítima. Sua resolução possibilita crescimento pessoal e institucional, além de abrir perspectivas anteriormente impensáveis.

 

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